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O Projeto experimenta simultaneamente com arquitetura (construindo a partir dos restos da cidade e sem profissionais) e habitação (unindo em uma mesma casa galeria, aulas de dança, moradia, consultórios, e festa). A intervenção na casa - que estava abandonada há pelo menos 10 anos - se iniciou a partir de uma troca: os proprietários da ruína a cederam por quatro anos ao coletivo, com a promessa de receber uma casa funcional na devolução.

 

A casa encontrou recursos não-financeiros para a sua reforma através de trocas: músicos encontraram no espaço um possível local para shows, psicólogos uma sala de atendimento, sociólogos uma ‘comunidade’ para estudar, professores um espaço para ensinar construção a seus alunos... Cada troca possibilitou não só a reforma (feita a centenas de mãos), mas determinou o que o projeto seria.

O coletivo que cuida da casa (formado durante sua construção) é composto por fotógrafos, videomakers, arquitetos (com pesquisas paralelas em artes visuais, design e marcenaria), sociólogos e produtores culturais—a diversidade do grupo define um projeto também diverso, atuante na cena cultural de salvador para além de sua arquitetura. Desde 2017 oficinas, shows, palestras, festas, locação para trabalhos fotográficos/audiovisuais, feiras e exposições são movimentações mais frequentes no local.

Moacyr Peres, Felipe Rezende, Boogarins, Bagum, Underismo, Livia Nery são alguns dos artistas que, de variadas formas, já tiveram a casa como palco para seus trabalhos. Toda exposição na Mouraria 53 pressupõe uma dupla-exposição: a casa e a obra, o artista e os habitantes. A ficha-técnica ganha condição de catálogo; nos interessam habitações, trocas e contaminações. Toda exposição ou atividade criativa propõe esse diálogo.